VEHR na Pet Vet 2026: Gestão, prontuário e inteligência artificial integrados na Clínica Veterinária


Lançado em São Paulo, o sistema desenvolvido para clínicas e hospitais veterinários reúne prontuário eletrônico, gestão e inteligência artificial em um único ambiente — com uma premissa central: a tecnologia apoia, mas a decisão continua sendo do médico-veterinário.

Quanto tempo de uma consulta veterinária é realmente dedicado ao paciente e quanto acaba sendo consumido preenchendo prontuários, organizando informações e executando tarefas administrativas?

A pergunta ganhou ainda mais relevância com o avanço da inteligência artificial aplicada à saúde.

Foi nesse cenário que o VEHR foi apresentado oficialmente durante a PET VET 2026, realizada de 12 a 14 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo.

Desenvolvido como um sistema integrado para clínicas e hospitais veterinários, o VEHR reúne em uma mesma plataforma prontuário eletrônico, informações clínicas, ferramentas de gestão e suporte por inteligência artificial, buscando aproximar duas áreas que nem sempre conversam de maneira eficiente dentro dos estabelecimentos veterinários: assistência e gestão.

Mas existe uma diferença importante na proposta.

No VEHR, a inteligência artificial não foi concebida para substituir o médico-veterinário.

Ela funciona como um copiloto.

O médico-veterinário continua no comando

A utilização de IA na saúde traz uma questão inevitável: até onde uma máquina pode participar de uma decisão clínica?

No VEHR, a resposta começa pela própria arquitetura proposta para utilização da tecnologia.

A IA pode organizar informações, recuperar conhecimento, apoiar a análise de dados e auxiliar o profissional durante sua rotina. Entretanto, a interpretação das informações, a definição da conduta e a decisão clínica permanecem sob responsabilidade do médico-veterinário.

Esse princípio é fundamental.

Um copiloto pode auxiliar a navegação, organizar informações e chamar atenção para pontos relevantes. Mas não assume o comando.

Na prática veterinária, isso significa utilizar inteligência artificial para reduzir tarefas operacionais e ampliar o acesso à informação sem transferir para um algoritmo a responsabilidade profissional.

Outro princípio apresentado pelo sistema é a auditabilidade.

Uma IA utilizada dentro de um ambiente clínico precisa permitir que suas interações e informações possam ser rastreadas e auditadas. Isso amplia a transparência e permite compreender como a tecnologia participou daquele fluxo de trabalho.

Em saúde, confiança não deve significar simplesmente acreditar no que a inteligência artificial produziu.

Deve significar poder verificar.

Do prontuário à gestão: dados clínicos podem ajudar a compreender a própria clínica

O prontuário eletrônico é uma das principais fontes de informação de um estabelecimento veterinário.

Cada atendimento produz dados sobre pacientes, espécies, diagnósticos, procedimentos, exames, retornos, internações e diferentes aspectos da operação clínica.

Quando essas informações permanecem isoladas, parte de seu valor gerencial é perdida.

A proposta de um sistema integrado é transformar os registros produzidos durante a assistência em informações que também possam apoiar a gestão.

Assim, o mesmo ecossistema utilizado para acompanhar o paciente pode contribuir para que gestores compreendam melhor a dinâmica do estabelecimento e acompanhem sua operação.

A inteligência artificial passa, então, a ter duas possibilidades complementares de utilização: apoiar o profissional na rotina clínica e auxiliar o gestor na interpretação das informações produzidas pela própria organização. Nesse contexto, um dos principais diferenciais do VEHR é contar com uma IA própria, integrada ao ecossistema VetGuide, capaz de buscar informações nos conteúdos da biblioteca digital do aplicativo, elaborados por especialistas e fundamentados em referências técnico-científicas. Dessa forma, ao apoiar o médico-veterinário durante a rotina clínica, a IA não depende apenas de informações genéricas disponíveis na internet: ela consulta uma base de conhecimento veterinário previamente selecionada e validada, oferecendo suporte mais contextualizado à prática profissional. Ainda assim, seu papel permanece o de copiloto: organizar, recuperar e apresentar informações que auxiliem o raciocínio clínico, preservando a autonomia e a responsabilidade do médico-veterinário sobre a interpretação dos dados e a decisão final.

VEHR: IA como copiloto, não como substituta

É dentro dessa discussão que o VEHR chega ao mercado veterinário.

O lançamento durante a PET VET 2026 representa mais do que a apresentação de um novo software de gestão.

Representa uma proposta de integração entre tecnologia, prontuário, gestão e suporte à decisão, em um momento no qual a Medicina Veterinária começa a discutir não mais se utilizará inteligência artificial, mas como deverá utilizá-la de maneira segura, ética e responsável.

No conceito do VEHR, o médico-veterinário permanece no centro desse processo.

A tecnologia organiza.

A IA auxilia.

Os dados apoiam.

Mas o profissional analisa, decide e valida.

Essa talvez seja uma das distinções mais importantes da transformação digital que está chegando às clínicas e hospitais veterinários.

Porque o melhor uso da inteligência artificial na saúde não é aquele que retira o profissional da decisão.

É aquele que devolve ao profissional algo cada vez mais escasso na rotina clínica:

tempo para pensar, tempo para cuidar e informação qualificada para decidir.

                                                                                                          Texto por: Simone Freitas
Responsável técnica: Dra. Simone Freitas CRMV- BA 1771



Referências

OHDE, J. W. et al. Barriers and opportunities of scaling ambient AI scribes for clinical documentation across diverse healthcare settings. npj Digital Medicine, 2026.

Accuracy and Safety of AI-Enabled Scribe Technology: Instrument Validation Study. Journal of Medical Internet Research, v. 27, e64993, 2025.

Quality of Clinical Notes Created by Ambient Listening Generative AI: Pragmatic Prospective Pilot Study. 2026.

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