A disbiose induzida por antimicrobianos representa uma das alterações gastrointestinais mais frequentes na rotina clínica de pequenos animais. O uso indiscriminado ou prolongado de antibióticos pode provocar redução da diversidade bacteriana intestinal, diminuição de bactérias produtoras de butirato e proliferação de microrganismos oportunistas.
Principais sinais clínicos
- Diarreia aguda ou crônica
- Flatulência
- Hiporexia
- Alteração da consistência fecal
- Muco fecal
- Desconforto abdominal
- Recorrência gastrointestinal após antibioticoterapia
Antimicrobianos mais associados à disbiose
Em cães e gatos, alterações importantes da microbiota já foram observadas após uso de:
- Metronidazol
- Tilosina
- Amoxicilina-clavulanato
- Clindamicina
- Enrofloxacina
Observação: O metronidazol merece destaque por alterar significativamente bactérias anaeróbias benéficas e modificar o metabolismo dos ácidos biliares intestinais.
Conduta clínica baseada em evidências
1. Reavaliar necessidade do antimicrobiano
Antes de manter antibioticoterapia prolongada, questionar:
- Existe diagnóstico etiológico confirmado?
- Há evidência de infecção bacteriana?
- O quadro poderia ser inflamatório ou alimentar?
A redução do uso empírico de antimicrobianos faz parte do conceito de antimicrobial stewardship na medicina veterinária.
2. Instituir suporte nutricional intestinal
Priorizar os seguintes itens:
- Dietas altamente digestíveis
- Fibras fermentáveis moderadas
- Prebióticos
- Adequada hidratação
Em alguns casos, dietas hidrolisadas ou de proteína nova podem auxiliar no controle inflamatório intestinal secundário.
3. Considerar probióticos com respaldo científico
Cepas mais estudadas incluem:
- Enterococcus faecium
- Saccharomyces boulardii
- Bifidobacterium spp.
- Lactobacillus spp.
Observação: O uso deve ser individualizado e associado ao manejo da causa primária.
4. Monitorar recuperação clínica
A normalização fecal nem sempre corresponde à recuperação completa do microbioma.
Monitorar:
- Consistência fecal
- Frequência de recidivas
- Escore fecal
- Resposta dietética
- Sinais sistêmicos
Erros comuns na prática clínica
Alguns dos erros mais comuns são:
- Prolongar metronidazol sem diagnóstico definitivo
- Utilizar múltiplos antimicrobianos simultaneamente
- Trocar repetidamente de dieta sem critério
- Utilizar probióticos sem controle de qualidade
- Negligenciar investigação de enteropatias crônicas
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